Encolhi os braços
para encaixar no desenho que você fez de mim
Arregalei os olhos
e apertei a boca
Foi quando ví
que o recheio dos teus traços
não era eu
Cresci na melodia
da música
que você escreveu
Mas a serenata
nunca subiu
pelo pé da minha janela
Virei o enigma
de um texto hermético
Como um chumbo
que cai na água
caí na cama
Macia
de abraço certo
Chorei
e me expulsei
criança
Vomitei versos
impressos no chão
A poesia marca o tapete.
Julia Duarte.
terça-feira, 16 de setembro de 2008
sexta-feira, 5 de setembro de 2008
Zero.
Para que serve o futuro
se você não consegue prever o agora?
Para que serve a resposta
se tudo que você tem são perguntas?
Enquanto isso
o passado muda a toda hora.
É como um livro que você lê
pela segunda vez.
É como uma ficha
que espera o balanço do vento para cair.
E assim, de repente.
tudo faz algum sentido.
Para que servem os planos
se a vida simplesmente acontece?
Não adianta buscar nos bolsos
dos casacos do inverno passado
o telefone do seu amor
Porque você não nasceu para repetir.
Nem casacos, nem amores.
Se o ar é fresco
o seu coração também merece ser.
Não deixe seus sonhos
recheando seu travesseiro.
Pegue uma tesoura
e fure pena por pena, sem pena.
Carregue seus sonhos
embaixo do braço.
Porque chegou a hora de usufruir.
And go.
Julia Duarte.
se você não consegue prever o agora?
Para que serve a resposta
se tudo que você tem são perguntas?
Enquanto isso
o passado muda a toda hora.
É como um livro que você lê
pela segunda vez.
É como uma ficha
que espera o balanço do vento para cair.
E assim, de repente.
tudo faz algum sentido.
Para que servem os planos
se a vida simplesmente acontece?
Não adianta buscar nos bolsos
dos casacos do inverno passado
o telefone do seu amor
Porque você não nasceu para repetir.
Nem casacos, nem amores.
Se o ar é fresco
o seu coração também merece ser.
Não deixe seus sonhos
recheando seu travesseiro.
Pegue uma tesoura
e fure pena por pena, sem pena.
Carregue seus sonhos
embaixo do braço.
Porque chegou a hora de usufruir.
And go.
Julia Duarte.
quinta-feira, 28 de agosto de 2008
Casamento.
Alguém já recusou a sua companhia?
O seu convite?
O seu beijo?
O seu amor?
Você já seguiu um olho tímido?
Já fugiu de um olho vivo?
Você já imaginou alguém para imaginar com você?
Você já se imaginou casado?
Casar é imaginar quente
o que antes era solidão.
É dedicar uma estrela
por bem mais do que uma noite.
É assinar um cartão de amor
com o mesmo sobrenome
de quem vai receber.
É se imaginar solteiro
e gostar de cair na realidade.
É entrelaçar as pernas antes de dormir.
É ter um ombro para encostar.
É fazer parte de outro corpo.
É dividir a luz da vela em cima da mesa.
É roubar a cereja da sobremesa.
Do outro.
Quer casar comigo?
Julia Duarte.
O seu convite?
O seu beijo?
O seu amor?
Você já seguiu um olho tímido?
Já fugiu de um olho vivo?
Você já imaginou alguém para imaginar com você?
Você já se imaginou casado?
Casar é imaginar quente
o que antes era solidão.
É dedicar uma estrela
por bem mais do que uma noite.
É assinar um cartão de amor
com o mesmo sobrenome
de quem vai receber.
É se imaginar solteiro
e gostar de cair na realidade.
É entrelaçar as pernas antes de dormir.
É ter um ombro para encostar.
É fazer parte de outro corpo.
É dividir a luz da vela em cima da mesa.
É roubar a cereja da sobremesa.
Do outro.
Quer casar comigo?
Julia Duarte.
segunda-feira, 18 de agosto de 2008
Ficar viuva é viver uma lacuna da vida.
Deu adeus ao santo
E dormiu sem rezar
De lágrimas secas
fazia-se o canto do olho
Quando acordou
Vestiu o luto
Saiu a beber
Repetindo palavras
e tremendo a voz
De caneta na mão
Se pôs a desenhar
caricaturas
Em ziquezague
Despediu-se
da garrafa
que como ela
figurava vazia
A capa preta
amorteceu os pingos grossos
quando o céu chorou
a sua volta
Já era dia
quando ela
rezou só
por um dia de sono
e uma vida
sem lacunas
Julia Duarte
E dormiu sem rezar
De lágrimas secas
fazia-se o canto do olho
Quando acordou
Vestiu o luto
Saiu a beber
Repetindo palavras
e tremendo a voz
De caneta na mão
Se pôs a desenhar
caricaturas
Em ziquezague
Despediu-se
da garrafa
que como ela
figurava vazia
A capa preta
amorteceu os pingos grossos
quando o céu chorou
a sua volta
Já era dia
quando ela
rezou só
por um dia de sono
e uma vida
sem lacunas
Julia Duarte
quinta-feira, 7 de agosto de 2008
Oxidação.
De ferrugem
se faz um corpo que ressuscita
Parado
durante uma vida
acompanhando
a decomposição
de sua própria carne
Chora a alegria
de voltar
Abrir o peito
para discutir a calma
e o silêncio
De encontrar
um mundo reescrito
Pronto para receber
dobradiças
que não precisem de óleo
Deprimido
ao ranger da primeira curvatura
Cheio de palavras roucas
despede-se
Para mais um descanso.
Julia Duarte.
se faz um corpo que ressuscita
Parado
durante uma vida
acompanhando
a decomposição
de sua própria carne
Chora a alegria
de voltar
Abrir o peito
para discutir a calma
e o silêncio
De encontrar
um mundo reescrito
Pronto para receber
dobradiças
que não precisem de óleo
Deprimido
ao ranger da primeira curvatura
Cheio de palavras roucas
despede-se
Para mais um descanso.
Julia Duarte.
segunda-feira, 14 de julho de 2008
Ex família.
Ela me acenava
Cada vez que partia pra Porto Alegre
Quando voltava
Levantava as sobrancelhas
Mirava o queixo na minha testa
E os olhos escapavam
Por baixo das grossas lentes
De coxas macias e quentes
Eu me fartava
Ela abria um livro
Eu fechava a boca
E a rede balançava
O ar que vinha do mar
Disfarçado de brisa
Já anunciava o furacão
Mas enquanto isso
Eu voava com o timbre
De voz que percorria palavras impressas
Eram estórias
Cantadas
Eu saí do colo
E a chuva marca o tempo
Anos e anos
Desenlaçando
A família
Com desdém
Ela enterrou seu sobrenome
Em mim.
Julia Duarte.
Cada vez que partia pra Porto Alegre
Quando voltava
Levantava as sobrancelhas
Mirava o queixo na minha testa
E os olhos escapavam
Por baixo das grossas lentes
De coxas macias e quentes
Eu me fartava
Ela abria um livro
Eu fechava a boca
E a rede balançava
O ar que vinha do mar
Disfarçado de brisa
Já anunciava o furacão
Mas enquanto isso
Eu voava com o timbre
De voz que percorria palavras impressas
Eram estórias
Cantadas
Eu saí do colo
E a chuva marca o tempo
Anos e anos
Desenlaçando
A família
Com desdém
Ela enterrou seu sobrenome
Em mim.
Julia Duarte.
quinta-feira, 3 de julho de 2008
O que virá?
Nem Deus
Ousaria me contar
Não por não querer
Ou esconder dizeres
Atrás dos lábios
Não por mistério
Crescer por conta
De um causo
De um silêncio
Que se faz vazio
E instiga
Me come
Mastiga a carne
Depois
Bate o bife
Das costas
Joga
No canto
Do canto escuro
Me tira
Um sonho
Que dorme
Amanheço
Com a boca
De formigas
E cuspo
Esvazio o peito
Busco teus olhos
Com medo
Que você
Não me busque.
O que nem Deus sabe, assusta.
Julia Duarte.
Ousaria me contar
Não por não querer
Ou esconder dizeres
Atrás dos lábios
Não por mistério
Crescer por conta
De um causo
De um silêncio
Que se faz vazio
E instiga
Me come
Mastiga a carne
Depois
Bate o bife
Das costas
Joga
No canto
Do canto escuro
Me tira
Um sonho
Que dorme
Amanheço
Com a boca
De formigas
E cuspo
Esvazio o peito
Busco teus olhos
Com medo
Que você
Não me busque.
O que nem Deus sabe, assusta.
Julia Duarte.
Assinar:
Postagens (Atom)