Me convidei para passear
E foi tão bom
E foi tão ruim
Os dedos dos pés molharam na grama
Congelaram com o tempo
Ficaram duros como pedra
As pernas
(de fora)
Corriam para esquentar
Ou fugiam para não entrar na casa
Vazia
Contei as horas
Os minutos
E todos meus segredos
Para o alto do muro
Com a mão direita
Toquei o ombro esquerdo
Com a mão esquerda
Toquei o ombro direito
Joguei a cabeça para cima
E esperei
Mas por trás do muro não havia ninguém
Molhei os joelhos na grama
Agarrei o escapulário
Juntei as mãos e pedi:
Um par de olhos
Para me cuidar enquanto durmo
Um par de mãos
Para me puxar de volta quando eu quiser partir
Um par de pernas
Para me abraçar durante as noites
E ganhei
Um par de silêncio
Em meus ouvidos
Julia Duarte
quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008
segunda-feira, 21 de janeiro de 2008
Socorro
O cérebro esquentou a noite
Aprisionou seu sono
Com linhas pretas
E uma agulha
Há de costurar a ferida
Enquanto a repulsa morre
E aos poucos seus olhos abrem
O cheiro de vida levanta
Como poeira que sobe
Para espirrar a dor
É preciso um tanto de liberdade
Foi quando saiu dos cantos
Removeu suas células perdidas
E pediu socorro
Mal sabia que colocar o vírus para fora
É dar as mãos para as cores
E largar as dores
Julia Duarte
Aprisionou seu sono
Com linhas pretas
E uma agulha
Há de costurar a ferida
Enquanto a repulsa morre
E aos poucos seus olhos abrem
O cheiro de vida levanta
Como poeira que sobe
Para espirrar a dor
É preciso um tanto de liberdade
Foi quando saiu dos cantos
Removeu suas células perdidas
E pediu socorro
Mal sabia que colocar o vírus para fora
É dar as mãos para as cores
E largar as dores
Julia Duarte
sexta-feira, 18 de janeiro de 2008
Para sempre.
“Eu estou pronta para ser feliz”
Disse ela com uma bolsa na mão.
Saiu para ver o mar
Escreveu linhas e linhas na areia.
Esperou a onda apagar
Guardou a lágrima atrás dos olhos
E foi embora para sempre
Disse ao taxista que tinha uma fantasia
Mostrou as pernas tenras
Molhou os lábios com a lingua
Descansou a mão no seio esquerdo
Era dor no coração
Pediu para descer antes
Cobriu as pernas enquanto andava desolada
Quando o vento nasceu de costas para o mar
Veio de repente a força que balançou sua blusa
Como se fosse uma cortina
Foi então que apareceu a janela de sua alma
E ela resolveu voltar para sempre
Julia Duarte
Disse ela com uma bolsa na mão.
Saiu para ver o mar
Escreveu linhas e linhas na areia.
Esperou a onda apagar
Guardou a lágrima atrás dos olhos
E foi embora para sempre
Disse ao taxista que tinha uma fantasia
Mostrou as pernas tenras
Molhou os lábios com a lingua
Descansou a mão no seio esquerdo
Era dor no coração
Pediu para descer antes
Cobriu as pernas enquanto andava desolada
Quando o vento nasceu de costas para o mar
Veio de repente a força que balançou sua blusa
Como se fosse uma cortina
Foi então que apareceu a janela de sua alma
E ela resolveu voltar para sempre
Julia Duarte
Vivo só.
Era uma tarde desesperada
No vento
A porta dançava
Enquanto ele escrevia
Entre virgulas
O nosso amor nascia
Dando adeus a mais uma página
Em branco
Enchia os pulões de mim
No cigarro que segurava com o indicador e o dedão
E apagava na sola da bota
Amontoando um cancer no cinzeiro
“você já pensou em ir embora?’’
Sua voz morreu em meu silêncio
Ele é que pensava em partir
Hoje sei o covarde que era
Antes de dormir ao meu lado
Mal me olhava no olho
“Eu te amo”
E o amor dele morria quando terminava de pronunciar o “o”.
Sequei de amor
E vivo só
Não me amo mais do que um segundo
Que acaba quase antes de começar.
Julia Duarte
No vento
A porta dançava
Enquanto ele escrevia
Entre virgulas
O nosso amor nascia
Dando adeus a mais uma página
Em branco
Enchia os pulões de mim
No cigarro que segurava com o indicador e o dedão
E apagava na sola da bota
Amontoando um cancer no cinzeiro
“você já pensou em ir embora?’’
Sua voz morreu em meu silêncio
Ele é que pensava em partir
Hoje sei o covarde que era
Antes de dormir ao meu lado
Mal me olhava no olho
“Eu te amo”
E o amor dele morria quando terminava de pronunciar o “o”.
Sequei de amor
E vivo só
Não me amo mais do que um segundo
Que acaba quase antes de começar.
Julia Duarte
sexta-feira, 4 de janeiro de 2008
Para não perder o costume
O meu peito dói quando eu toco
E eu sempre toco
De cinco em cinco minutos
Dou uma cutucada
E eu sempre toco
De cinco em cinco minutos
Dou uma cutucada
sexta-feira, 30 de novembro de 2007
Arrasta os dedos em mim
Me sobram cócegas
Quando me faltam motivos pra sorrir
Você não aparece
Desfalece na arena
Me deixa sem pena
A luz que falta
Me lembra você
Enquanto dormíamos
Em silêncio
O vento entra
Envolve com paz e sem cerimônia
Um momento
vira simplesmente dois
Um meu e outro seu
A estrada se abre
Pra me ver partir
Deixo meu cheiro no rastro do guia
Você já está perdido mesmo
E tudo que penso
Enterro vivo
Sozinha e comigo
Sigo o sentido
De descobrir o medo sem você
A alma que grita
Agita o pensamento nobre
Quando você sobe eu me firmo aqui
Passo cola na sola do pé
Engulo tudo pra aumentar o peso
Agüento o balanço qualquer
Firme como se a leveza nunca tivesse existido
Quando me faltam motivos pra sorrir
Você não aparece
Desfalece na arena
Me deixa sem pena
A luz que falta
Me lembra você
Enquanto dormíamos
Em silêncio
O vento entra
Envolve com paz e sem cerimônia
Um momento
vira simplesmente dois
Um meu e outro seu
A estrada se abre
Pra me ver partir
Deixo meu cheiro no rastro do guia
Você já está perdido mesmo
E tudo que penso
Enterro vivo
Sozinha e comigo
Sigo o sentido
De descobrir o medo sem você
A alma que grita
Agita o pensamento nobre
Quando você sobe eu me firmo aqui
Passo cola na sola do pé
Engulo tudo pra aumentar o peso
Agüento o balanço qualquer
Firme como se a leveza nunca tivesse existido
terça-feira, 13 de novembro de 2007
Magic
De farta mágoa
Se fez a dança
Entre dois mágicos
Da cartola
Ele tirou um jardim
Sem vida
Da certeza
Ela fez dúvida
E de aplausos se fez o silêncio
Ele guardou a dor
Dentro de um balão
Quase sem ar
Ela estourou o balão
Guardou a dor
Na alma do cofre
Ele descobriu o segredo
Abriu as portas
E a dor se fez presente
O jardim voltou a respirar
Enquanto houver dor
Haverá vida
Se fez a dança
Entre dois mágicos
Da cartola
Ele tirou um jardim
Sem vida
Da certeza
Ela fez dúvida
E de aplausos se fez o silêncio
Ele guardou a dor
Dentro de um balão
Quase sem ar
Ela estourou o balão
Guardou a dor
Na alma do cofre
Ele descobriu o segredo
Abriu as portas
E a dor se fez presente
O jardim voltou a respirar
Enquanto houver dor
Haverá vida
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