Seus cabelos
abrem portas
e batem pernas
Se apresentam
e representam
um sonho vencido
Do alto
ela me convida
para um passeio
Na sua carne
Deito de olhos
abertos
Descubro
o que ela guarda
embaixo da roupa
Sua pele
segue minha língua
Sem atalhos
Fico horas e horas
sentindo seu corpo
igual ao meu
A água na cabeceira
me faz ter certeza
que ainda sou eu
Por mais um dia.
Julia Duarte.
quinta-feira, 20 de novembro de 2008
quarta-feira, 12 de novembro de 2008
Um poema para uma irmã chamada Joana.
Não seja mãe
sem ter dado a luz
Desenhe aquilo
que você pode contornar
Na hora de rezar
pense em você
Arranque da carne
o prazer entrelaçado nas costelas
Sopre o pó
dos seus pés aprisionados
Caminhe
Pisoteando o tic-tac
Você pode
o que quiser
Sua estrutura é maior
que a carcaça
O alcance de seus olhos
se faz pequeno
Como qualquer
ser humano em demasia
Não acoberte com os cílios
a vista da vida
Bata na minha porta
para um café forte
E acorde para nascer de novo
só para você.
Julia Duarte.
sem ter dado a luz
Desenhe aquilo
que você pode contornar
Na hora de rezar
pense em você
Arranque da carne
o prazer entrelaçado nas costelas
Sopre o pó
dos seus pés aprisionados
Caminhe
Pisoteando o tic-tac
Você pode
o que quiser
Sua estrutura é maior
que a carcaça
O alcance de seus olhos
se faz pequeno
Como qualquer
ser humano em demasia
Não acoberte com os cílios
a vista da vida
Bata na minha porta
para um café forte
E acorde para nascer de novo
só para você.
Julia Duarte.
quinta-feira, 30 de outubro de 2008
A surpresa é o orgasmo.
Enferma
Cheia dos não-me-toques
A vida descansa
e respinga gargalhadas
Cochicha
sobre a sujeira
Não pisca
sobre a traição
Condena
pelas costas das mãos
Em orações
demolidas
O importante
é amar
Selar o beijo
e a dor
Meu pai sempre disse:
- Seja feliz.
Minha mãe sempre disse:
- Pense antes de fazer qualquer coisa.
Impossível ser feliz
se planejada a vida
A surpresa
é o orgasmo
Escondido
nas esquinas de uma vida traiçoeira
Que ordena.
E mais nada.
Julia Duarte.
Cheia dos não-me-toques
A vida descansa
e respinga gargalhadas
Cochicha
sobre a sujeira
Não pisca
sobre a traição
Condena
pelas costas das mãos
Em orações
demolidas
O importante
é amar
Selar o beijo
e a dor
Meu pai sempre disse:
- Seja feliz.
Minha mãe sempre disse:
- Pense antes de fazer qualquer coisa.
Impossível ser feliz
se planejada a vida
A surpresa
é o orgasmo
Escondido
nas esquinas de uma vida traiçoeira
Que ordena.
E mais nada.
Julia Duarte.
quinta-feira, 16 de outubro de 2008
Temporal.
Eu
e as nossas diferenças
não brigamos
não nos amamos
Eu esqueço
Você lembra
Eu perco o jeito
E o ar sai dos pulmões
Balança árvores
Levanta batinas
Embaralha preces
Areias
ferem canelas e olhos
Cabelos
escondem rostos
Lágrimas secam escorridas
O vento assobia
E o lixo,
o lixo rodopia para cair no mesmo lugar
Nossas diferenças passam
Sobra
eu e você
Até a próxima
tormenta.
Julia Duarte.
e as nossas diferenças
não brigamos
não nos amamos
Eu esqueço
Você lembra
Eu perco o jeito
E o ar sai dos pulmões
Balança árvores
Levanta batinas
Embaralha preces
Areias
ferem canelas e olhos
Cabelos
escondem rostos
Lágrimas secam escorridas
O vento assobia
E o lixo,
o lixo rodopia para cair no mesmo lugar
Nossas diferenças passam
Sobra
eu e você
Até a próxima
tormenta.
Julia Duarte.
sexta-feira, 26 de setembro de 2008
Às vezes decido não te amar.
Me sento
de frente para o tempo
E lembro
De quem me esculpiu
em carne
e sangue
De quem me refilou
com a ponta dos ossos
de um corpo cansado
De quem colocou a mesa
e me esperou
com a comida quente
Por noites
e noites
Lembro
De quem acordou
dormindo
Olhou pra mim
e disse:
_
Lembro até hoje
Quando volto
no tempo
Às vezes decido
ir embora
E voltar a amar você.
Julia Duarte.
de frente para o tempo
E lembro
De quem me esculpiu
em carne
e sangue
De quem me refilou
com a ponta dos ossos
de um corpo cansado
De quem colocou a mesa
e me esperou
com a comida quente
Por noites
e noites
Lembro
De quem acordou
dormindo
Olhou pra mim
e disse:
_
Lembro até hoje
Quando volto
no tempo
Às vezes decido
ir embora
E voltar a amar você.
Julia Duarte.
quarta-feira, 17 de setembro de 2008
Um poema para aquelas pessoas que salvam vidas sem fazer força.
Meu peito já doeu muito
Senti o amor saindo pela garganta
Arranhando o verso da carne
Dormi com o coração dilatado
Batendo com pressa
para viver de uma vez
Sangrei os joelhos
de tanto implorar
o fim
Lembrei tanto
do pranto de alguém
que hoje nem lembro o nome
Encontrei você.
Julia Duarte.
Senti o amor saindo pela garganta
Arranhando o verso da carne
Dormi com o coração dilatado
Batendo com pressa
para viver de uma vez
Sangrei os joelhos
de tanto implorar
o fim
Lembrei tanto
do pranto de alguém
que hoje nem lembro o nome
Encontrei você.
Julia Duarte.
terça-feira, 16 de setembro de 2008
Quando você não me amou.
Encolhi os braços
para encaixar no desenho que você fez de mim
Arregalei os olhos
e apertei a boca
Foi quando ví
que o recheio dos teus traços
não era eu
Cresci na melodia
da música
que você escreveu
Mas a serenata
nunca subiu
pelo pé da minha janela
Virei o enigma
de um texto hermético
Como um chumbo
que cai na água
caí na cama
Macia
de abraço certo
Chorei
e me expulsei
criança
Vomitei versos
impressos no chão
A poesia marca o tapete.
Julia Duarte.
para encaixar no desenho que você fez de mim
Arregalei os olhos
e apertei a boca
Foi quando ví
que o recheio dos teus traços
não era eu
Cresci na melodia
da música
que você escreveu
Mas a serenata
nunca subiu
pelo pé da minha janela
Virei o enigma
de um texto hermético
Como um chumbo
que cai na água
caí na cama
Macia
de abraço certo
Chorei
e me expulsei
criança
Vomitei versos
impressos no chão
A poesia marca o tapete.
Julia Duarte.
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