A falta dela
me corta a carne
A voz ausente
é tão grave
A camisola
veste a cadeira
Mas a cadeira
não é ela
E mesmo assim
eu sento e me basto
A foto dela
me corta os dedos
Como se de sua pele
brotassem espinhos
Gotas de lágrimas
espremem meus orgãos
Só crescem
Não saem
Guardo o choro
embaixo do pâncreas
E se falo dela
não é obsessão
Não é culpa
nem doença.
É saudade.
Julia Duarte.
sexta-feira, 12 de dezembro de 2008
quarta-feira, 3 de dezembro de 2008
Poema Dia.
No dia 1° de dezembro começou o Poema Dia. Um projeto que reúne 28 poetas de diferentes estados e com estilos também variados. Cada um vai adotar um dia do mês para postar. Eu vou escrever no dia 20. Mas não deixem de conferir, já tem muita coisa legal lá.
http://poemadia.blogspot.com
http://poemadia.blogspot.com
terça-feira, 2 de dezembro de 2008
...
Quando eu escrevi você
Peguei cada palavra
e lapidei
Ferí a ponta
do lápis
que se desfez em linhas retas
E pensamenos tortos
Quando eu escolhi você
Escondi minha tristeza
Coloquei versos na gaveta
E de roupas pretas se fizeram os pobres
Quando eu beijei você
Cobri o fio dos dentes com a língua
Não bebi nem fumei
Durante vinte e quatro horas
Quando eu dormi com você
Fiquei acordada
controlando a respiração
E quando você despertou
Eu já estava de batom
Quando eu me perdi de mim
Você estava em meu lugar
Usando minhas roupas
E as minhas palavras
Quando eu cansei de você
Me guardei.
Julia Duarte.
Peguei cada palavra
e lapidei
Ferí a ponta
do lápis
que se desfez em linhas retas
E pensamenos tortos
Quando eu escolhi você
Escondi minha tristeza
Coloquei versos na gaveta
E de roupas pretas se fizeram os pobres
Quando eu beijei você
Cobri o fio dos dentes com a língua
Não bebi nem fumei
Durante vinte e quatro horas
Quando eu dormi com você
Fiquei acordada
controlando a respiração
E quando você despertou
Eu já estava de batom
Quando eu me perdi de mim
Você estava em meu lugar
Usando minhas roupas
E as minhas palavras
Quando eu cansei de você
Me guardei.
Julia Duarte.
quinta-feira, 20 de novembro de 2008
Pronto, falei.
Seus cabelos
abrem portas
e batem pernas
Se apresentam
e representam
um sonho vencido
Do alto
ela me convida
para um passeio
Na sua carne
Deito de olhos
abertos
Descubro
o que ela guarda
embaixo da roupa
Sua pele
segue minha língua
Sem atalhos
Fico horas e horas
sentindo seu corpo
igual ao meu
A água na cabeceira
me faz ter certeza
que ainda sou eu
Por mais um dia.
Julia Duarte.
abrem portas
e batem pernas
Se apresentam
e representam
um sonho vencido
Do alto
ela me convida
para um passeio
Na sua carne
Deito de olhos
abertos
Descubro
o que ela guarda
embaixo da roupa
Sua pele
segue minha língua
Sem atalhos
Fico horas e horas
sentindo seu corpo
igual ao meu
A água na cabeceira
me faz ter certeza
que ainda sou eu
Por mais um dia.
Julia Duarte.
quarta-feira, 12 de novembro de 2008
Um poema para uma irmã chamada Joana.
Não seja mãe
sem ter dado a luz
Desenhe aquilo
que você pode contornar
Na hora de rezar
pense em você
Arranque da carne
o prazer entrelaçado nas costelas
Sopre o pó
dos seus pés aprisionados
Caminhe
Pisoteando o tic-tac
Você pode
o que quiser
Sua estrutura é maior
que a carcaça
O alcance de seus olhos
se faz pequeno
Como qualquer
ser humano em demasia
Não acoberte com os cílios
a vista da vida
Bata na minha porta
para um café forte
E acorde para nascer de novo
só para você.
Julia Duarte.
sem ter dado a luz
Desenhe aquilo
que você pode contornar
Na hora de rezar
pense em você
Arranque da carne
o prazer entrelaçado nas costelas
Sopre o pó
dos seus pés aprisionados
Caminhe
Pisoteando o tic-tac
Você pode
o que quiser
Sua estrutura é maior
que a carcaça
O alcance de seus olhos
se faz pequeno
Como qualquer
ser humano em demasia
Não acoberte com os cílios
a vista da vida
Bata na minha porta
para um café forte
E acorde para nascer de novo
só para você.
Julia Duarte.
quinta-feira, 30 de outubro de 2008
A surpresa é o orgasmo.
Enferma
Cheia dos não-me-toques
A vida descansa
e respinga gargalhadas
Cochicha
sobre a sujeira
Não pisca
sobre a traição
Condena
pelas costas das mãos
Em orações
demolidas
O importante
é amar
Selar o beijo
e a dor
Meu pai sempre disse:
- Seja feliz.
Minha mãe sempre disse:
- Pense antes de fazer qualquer coisa.
Impossível ser feliz
se planejada a vida
A surpresa
é o orgasmo
Escondido
nas esquinas de uma vida traiçoeira
Que ordena.
E mais nada.
Julia Duarte.
Cheia dos não-me-toques
A vida descansa
e respinga gargalhadas
Cochicha
sobre a sujeira
Não pisca
sobre a traição
Condena
pelas costas das mãos
Em orações
demolidas
O importante
é amar
Selar o beijo
e a dor
Meu pai sempre disse:
- Seja feliz.
Minha mãe sempre disse:
- Pense antes de fazer qualquer coisa.
Impossível ser feliz
se planejada a vida
A surpresa
é o orgasmo
Escondido
nas esquinas de uma vida traiçoeira
Que ordena.
E mais nada.
Julia Duarte.
quinta-feira, 16 de outubro de 2008
Temporal.
Eu
e as nossas diferenças
não brigamos
não nos amamos
Eu esqueço
Você lembra
Eu perco o jeito
E o ar sai dos pulmões
Balança árvores
Levanta batinas
Embaralha preces
Areias
ferem canelas e olhos
Cabelos
escondem rostos
Lágrimas secam escorridas
O vento assobia
E o lixo,
o lixo rodopia para cair no mesmo lugar
Nossas diferenças passam
Sobra
eu e você
Até a próxima
tormenta.
Julia Duarte.
e as nossas diferenças
não brigamos
não nos amamos
Eu esqueço
Você lembra
Eu perco o jeito
E o ar sai dos pulmões
Balança árvores
Levanta batinas
Embaralha preces
Areias
ferem canelas e olhos
Cabelos
escondem rostos
Lágrimas secam escorridas
O vento assobia
E o lixo,
o lixo rodopia para cair no mesmo lugar
Nossas diferenças passam
Sobra
eu e você
Até a próxima
tormenta.
Julia Duarte.
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