sábado, 17 de janeiro de 2009

Daqui de cima.

O mundo gira
Gira mundo

Do meu pranto
Se faz
a chuva

Do meu passo-largo
Se faz
o trovão

Do meu sexo
Se faz
o terremoto

Do meu assobio
Se faz
A brisa

Do meu espirro
Se faz
O furacão

Do botão sem prega
Se faz
O disco voador

E quando
O cabo da vassoura batuca

Ando de mansinho
E se fazem dias silenciosos.



Julia Duarte.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

A rejeição é eterna.

A carne trêmula
se esconde em trapos
de pele

A pele
se esconde em tecidos
de luxo

O luxo
se esconde em olhos
partidos

Pupilas
dilataram ao grito
de um: “Vai embora”

Cheio de dúvidas
e eterno.


Julia Duarte.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Ela.

A falta dela
me corta a carne

A voz ausente
é tão grave

A camisola
veste a cadeira

Mas a cadeira
não é ela

E mesmo assim
eu sento e me basto

A foto dela
me corta os dedos

Como se de sua pele
brotassem espinhos

Gotas de lágrimas
espremem meus orgãos

Só crescem
Não saem

Guardo o choro
embaixo do pâncreas


E se falo dela
não é obsessão

Não é culpa
nem doença.



É saudade.




Julia Duarte.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Poema Dia.

No dia 1° de dezembro começou o Poema Dia. Um projeto que reúne 28 poetas de diferentes estados e com estilos também variados. Cada um vai adotar um dia do mês para postar. Eu vou escrever no dia 20. Mas não deixem de conferir, já tem muita coisa legal lá.

http://poemadia.blogspot.com

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

...

Quando eu escrevi você
Peguei cada palavra
e lapidei

Ferí a ponta
do lápis
que se desfez em linhas retas

E pensamenos tortos

Quando eu escolhi você
Escondi minha tristeza

Coloquei versos na gaveta
E de roupas pretas se fizeram os pobres

Quando eu beijei você
Cobri o fio dos dentes com a língua

Não bebi nem fumei
Durante vinte e quatro horas

Quando eu dormi com você
Fiquei acordada
controlando a respiração

E quando você despertou
Eu já estava de batom

Quando eu me perdi de mim
Você estava em meu lugar

Usando minhas roupas
E as minhas palavras

Quando eu cansei de você
Me guardei.


Julia Duarte.

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Pronto, falei.

Seus cabelos
abrem portas
e batem pernas

Se apresentam
e representam
um sonho vencido

Do alto
ela me convida
para um passeio

Na sua carne
Deito de olhos
abertos

Descubro
o que ela guarda
embaixo da roupa

Sua pele
segue minha língua
Sem atalhos

Fico horas e horas
sentindo seu corpo
igual ao meu

A água na cabeceira
me faz ter certeza
que ainda sou eu

Por mais um dia.


Julia Duarte.

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Um poema para uma irmã chamada Joana.

Não seja mãe
sem ter dado a luz

Desenhe aquilo
que você pode contornar

Na hora de rezar
pense em você

Arranque da carne
o prazer entrelaçado nas costelas

Sopre o pó
dos seus pés aprisionados

Caminhe
Pisoteando o tic-tac

Você pode
o que quiser

Sua estrutura é maior
que a carcaça

O alcance de seus olhos
se faz pequeno

Como qualquer
ser humano em demasia

Não acoberte com os cílios
a vista da vida

Bata na minha porta
para um café forte

E acorde para nascer de novo
só para você.


Julia Duarte.