terça-feira, 25 de setembro de 2007

Nunca

Chorei você a noite inteira
Suei a cama sem perdão
Cortei o peito
Criei asas
E parti

Me escondi em ti

Espiei lembranças
Escrevi
um verso na parede
seu nome no pulso

Um livro cheio de rezas

Quando
Seus olhos caíram
no meu ombro
Virei medo

Nunca mais fui a mesma

segunda-feira, 17 de setembro de 2007

Volte

Encontrei razões
Perdi a pose
Decidi por mim
Caminhei para o bem

Deixei você

Uma raiva firme
Abraçou meus dedos
Um por um

Você passou raspando
Eu aqueci o frio
Na barriga

E parti

Escrevi na mão
“me sinto bem quando estou só”
(como quem não pode esquecer de algo)

Tomei banho

Dormi de janela aberta
E você entrou
Lembrei que esqueci de alguma coisa

Depois que a tinta saiu você voltou.

quarta-feira, 29 de agosto de 2007

Escuro

A boca toca e pede
O beijo
Eu entrego e viro
Fogo

Você olha
E vem
Abraça o pranto
Que desfaz

Dor

Eu subo
E desço em você
Na pele branca
Da carne

Viva

Descoberta
Eu durmo


E hoje
Eu não sei
(juro que não sei)
O que fazer com o resto
Do seu cheiro

Talvez eu guarde
No fundo na alma
E ressuscite
Num dia longo

Porque os dias ruins demoram

E entram
por baixo da porta
Pela fresta da porta
Pelo sopro do vento

De repente

Fecho os olhos
E você vem
Abro os olhos e você vai

Apago a luz e você aparece.

sexta-feira, 24 de agosto de 2007

Sereia

Escutei um “não” em silêncio
Pedi passagem ao senhor do mar
Prendi o ar
E mergulhei de olhos abertos

O sal entrou
O ar faltou
Mas eu subi só
Para viver

Decidi não morrer
Abri o peito
E da areia
ouvi cantos tímidos
Me fiz sereia

O sol queimou
o ódio
Enterrei a raiva
E construí um castelo molhado

Torres gigantes
Desformes com o vento
Ricas com conchas
Cheias de mim

Venha para um passeio
Até a sacada de pedras
Até o porão de peixes
Enquanto o teto ferve

Fique para uma noite
a beira do meu amor

sexta-feira, 17 de agosto de 2007

Vem, vem.

Entrou pela minha janela
Uma brisa gelada
Balançou camisas, bolsas e um pedaço de mim

Certa de uma noite lenta
fiquei à espera
Cheia de medos e arrepios
Juntei as mãos e apertei os lábios

Do outro lado da rua, a luz gritou
E alguém acenou com olhos d’água
Rezei para que fosse você
No meio de uma cortina de gelo

E era

Você deitou quente
descansou a raiva
E grudou a alma na minha

Agora abro a janela todas as noites
Fico entre paredes e esperanças

Talvez exista um grande espaço entre nós,
e talvez um tempo.
E talvez exista apenas vontade

Hoje vivo de vento
enquanto a brisa não vem.

terça-feira, 14 de agosto de 2007

Suada de lembranças brancas
Beijo agora, só no rosto
E o ódio
Despido
Vira tapete que desenrola

Eu sigo os passos
Os meus
Ah se existissem fadas
Ah se existisse Deus
Mas a fé enrola

Até virar crença
No ar que desdobra

Pausa

A reza encolhe
E o choro desenrola

domingo, 5 de agosto de 2007

Voltei pra mim e fiz um blog

Sou mais osso do que carne
Esqueço de comer
Só lembro quando o osso quebra
e vira farelo

Minha mãe sempre diz
“Leva o casaco e come”
Mas passo frio e fome
Há anos é assim


Hoje comecei a dieta
de engorde
Enquanto eu não abrir a boca
A alma grita

Vou limpar as gavetas
Tirar o pó
Encher os bolsos de nada
E vomitar a dúvida

Vou sair da forca sem pedir
Chutar o banco
Com o mesmo pé
que deslizaria em sua superfície

Voltei pra mim