Eu guardei acordes
Um gole d’água antes de dormir
Um guardanapo em branco
Eu guardei o tempo
Mas ele se foi
Se despediu
Com a pressa
Dos ponteiros
Mas eu corri atrás
Da canção
De frente para o palco
Decorei a cena
E cada detalhe seu
Para repassar
Até a sua volta
O canto da sua boca
ainda sorri para mim
Eu comentei
Para mim
Sorri
Para mim
Porque você não estava
E eu não quis
Te substituir
Reservei
Um lugar só seu
Um sonho só meu
De alguém que se foi
Deixou lembranças
E fé
A esperança de errar
De novo
Ainda está contigo
De rir
No silêncio da dor
De esticar as pernas para cima
E sentir a leveza
De se descobrir bem
Então,
Meu bem
Eu guardei tanto para você
Que mal cabe em uma garrafa de vinho
Mas o seu lugar
Ainda vazio
Está aqui
E se hoje eu choro
É de felicidade
Porque falta pouco
Para você voltar
Não vou mais pensar em você
Vou ter você
De novo.
quinta-feira, 27 de março de 2008
quinta-feira, 20 de março de 2008
Flores
Ela fechou a porta
A outra dormiu os olhos por um segundo
Ela prometeu não voltar
A outra chorou de amor
Ela deixou seu cheiro
A outra sentiu saudades
Ela deixou um bilhete
A outra não leu
Ela não ligou
A outra herdou o silêncio
Ela foi procurar seu tempo
A outra ficou sem ar
Ela disse que voltaria um dia
A outra acreditou
Ela se entregou para alguém
A outra cobriu o rosto com a palma da mão
Ela dançou seu corpo em outras pernas
A outra se perdeu
Ela sorriu
A outra dormiu para sempre
Ela comprou flores
A outra gelou
Ela foi dizer adeus
A outra não se mexeu
Ela abraçou
A outra não sentiu
Ela fechou os olhos da outra
E a outra não abriu
A outra dormiu os olhos por um segundo
Ela prometeu não voltar
A outra chorou de amor
Ela deixou seu cheiro
A outra sentiu saudades
Ela deixou um bilhete
A outra não leu
Ela não ligou
A outra herdou o silêncio
Ela foi procurar seu tempo
A outra ficou sem ar
Ela disse que voltaria um dia
A outra acreditou
Ela se entregou para alguém
A outra cobriu o rosto com a palma da mão
Ela dançou seu corpo em outras pernas
A outra se perdeu
Ela sorriu
A outra dormiu para sempre
Ela comprou flores
A outra gelou
Ela foi dizer adeus
A outra não se mexeu
Ela abraçou
A outra não sentiu
Ela fechou os olhos da outra
E a outra não abriu
sexta-feira, 14 de março de 2008
Beijo
Um beijo é pluma
E apesar do sonho meu
Escapa para o céu
Um beijo é doce
Quando a língua passeia pelos lábios
Até que o açúcar acabe
Um beijo é verdade
Depois de unir os lábios
Se unem olhares fixos
Um beijo é ilusão
Você encontra uma outra língua
no escuro do sono solto
Um beijo é paixão
O tempo não passa
E você gruda
Um beijo é despedida
As bocas descolam
Para a lágrima passar
Um beijo é culpa
Mal acontece
Em virtude do que já foi
Um beijo é o que você quiser.
E apesar do sonho meu
Escapa para o céu
Um beijo é doce
Quando a língua passeia pelos lábios
Até que o açúcar acabe
Um beijo é verdade
Depois de unir os lábios
Se unem olhares fixos
Um beijo é ilusão
Você encontra uma outra língua
no escuro do sono solto
Um beijo é paixão
O tempo não passa
E você gruda
Um beijo é despedida
As bocas descolam
Para a lágrima passar
Um beijo é culpa
Mal acontece
Em virtude do que já foi
Um beijo é o que você quiser.
terça-feira, 4 de março de 2008
P-a-l-a-v-r-a
Eu pego cada palavra sua
E desmaio
Letra por letra
Sem som
Sem métrica
Na estética da imaginação
Que cresce em segredo
Palavras que viram música
Aos poucos
Ao pé do ouvido
Que pede o beijo
E encosta no travesseiro
Que me abraça para sempre
De olhos fechados
Suas palavras ecoam
Opiniões
Porque a verdade só eu sei
É bom ter apenas a metade do mundo
E assim procuro todo o resto quando abro a janela
Os olhos
Os braços
As pernas
Para você entrar.
E desmaio
Letra por letra
Sem som
Sem métrica
Na estética da imaginação
Que cresce em segredo
Palavras que viram música
Aos poucos
Ao pé do ouvido
Que pede o beijo
E encosta no travesseiro
Que me abraça para sempre
De olhos fechados
Suas palavras ecoam
Opiniões
Porque a verdade só eu sei
É bom ter apenas a metade do mundo
E assim procuro todo o resto quando abro a janela
Os olhos
Os braços
As pernas
Para você entrar.
segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008
Hoje
Quero tomar um café com você
Em Bajo Caracoles
Bem na época em que de lá o vento foge
Quero encontrar seus dedos
passeando pelos grãos de açúcar caídos na mesa
Depois de um tempo,
Se houver alguma chance, você estará um gelo
Pouco à vontade
Pela saudade que sopra qualquer palavra boba
Ou então,
vai procurar meus olhos
assim que tirar o óculos
E, em um corredor de ar,
Vai me dizer tudo
Em silêncio
Talvez me mande embora
pague a minha passagem de volta
para não se incomodar
Você poderia me visitar
Jogar na minha cara tudo que fiz
Chorar a dor
E me beijar de amor
Quem sabe mandar um recado?
Eu poderia mandar uma carta
Só para você abrir
E descobrir o meu amor
Como se fosse novidade
E se você não abrir?
Eu viajo para longe
Esqueço o seu endereço
O seu nome e o seu cheiro
Eu podia parar de pensar
E agir na sua direção
Mesmo que não adiante
Mesmo que eu sinta medo
Eu só queria me encontrar em você.
Em Bajo Caracoles
Bem na época em que de lá o vento foge
Quero encontrar seus dedos
passeando pelos grãos de açúcar caídos na mesa
Depois de um tempo,
Se houver alguma chance, você estará um gelo
Pouco à vontade
Pela saudade que sopra qualquer palavra boba
Ou então,
vai procurar meus olhos
assim que tirar o óculos
E, em um corredor de ar,
Vai me dizer tudo
Em silêncio
Talvez me mande embora
pague a minha passagem de volta
para não se incomodar
Você poderia me visitar
Jogar na minha cara tudo que fiz
Chorar a dor
E me beijar de amor
Quem sabe mandar um recado?
Eu poderia mandar uma carta
Só para você abrir
E descobrir o meu amor
Como se fosse novidade
E se você não abrir?
Eu viajo para longe
Esqueço o seu endereço
O seu nome e o seu cheiro
Eu podia parar de pensar
E agir na sua direção
Mesmo que não adiante
Mesmo que eu sinta medo
Eu só queria me encontrar em você.
quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008
Um par.
Me convidei para passear
E foi tão bom
E foi tão ruim
Os dedos dos pés molharam na grama
Congelaram com o tempo
Ficaram duros como pedra
As pernas
(de fora)
Corriam para esquentar
Ou fugiam para não entrar na casa
Vazia
Contei as horas
Os minutos
E todos meus segredos
Para o alto do muro
Com a mão direita
Toquei o ombro esquerdo
Com a mão esquerda
Toquei o ombro direito
Joguei a cabeça para cima
E esperei
Mas por trás do muro não havia ninguém
Molhei os joelhos na grama
Agarrei o escapulário
Juntei as mãos e pedi:
Um par de olhos
Para me cuidar enquanto durmo
Um par de mãos
Para me puxar de volta quando eu quiser partir
Um par de pernas
Para me abraçar durante as noites
E ganhei
Um par de silêncio
Em meus ouvidos
Julia Duarte
E foi tão bom
E foi tão ruim
Os dedos dos pés molharam na grama
Congelaram com o tempo
Ficaram duros como pedra
As pernas
(de fora)
Corriam para esquentar
Ou fugiam para não entrar na casa
Vazia
Contei as horas
Os minutos
E todos meus segredos
Para o alto do muro
Com a mão direita
Toquei o ombro esquerdo
Com a mão esquerda
Toquei o ombro direito
Joguei a cabeça para cima
E esperei
Mas por trás do muro não havia ninguém
Molhei os joelhos na grama
Agarrei o escapulário
Juntei as mãos e pedi:
Um par de olhos
Para me cuidar enquanto durmo
Um par de mãos
Para me puxar de volta quando eu quiser partir
Um par de pernas
Para me abraçar durante as noites
E ganhei
Um par de silêncio
Em meus ouvidos
Julia Duarte
segunda-feira, 21 de janeiro de 2008
Socorro
O cérebro esquentou a noite
Aprisionou seu sono
Com linhas pretas
E uma agulha
Há de costurar a ferida
Enquanto a repulsa morre
E aos poucos seus olhos abrem
O cheiro de vida levanta
Como poeira que sobe
Para espirrar a dor
É preciso um tanto de liberdade
Foi quando saiu dos cantos
Removeu suas células perdidas
E pediu socorro
Mal sabia que colocar o vírus para fora
É dar as mãos para as cores
E largar as dores
Julia Duarte
Aprisionou seu sono
Com linhas pretas
E uma agulha
Há de costurar a ferida
Enquanto a repulsa morre
E aos poucos seus olhos abrem
O cheiro de vida levanta
Como poeira que sobe
Para espirrar a dor
É preciso um tanto de liberdade
Foi quando saiu dos cantos
Removeu suas células perdidas
E pediu socorro
Mal sabia que colocar o vírus para fora
É dar as mãos para as cores
E largar as dores
Julia Duarte
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